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  • Writer's picturePoliana Souza

Vamos todos perder a memória?

Um dos medos mais comuns de quem está vivenciando o processo de envelhecimento é o de desenvolver algum tipo de doença da memória, as chamadas demências. Então, já vamos começar aqui esclarecendo que não é normal “perder a memória” com o envelhecimento!


Qualquer pessoa pode ter pequenas falhas de memória, principalmente frente a rotinas estressantes, necessidade de manter atenção dividida entre várias tarefas e falta de sono adequado, por exemplo. E, de fato, algumas alterações esperadas pelo processo normal de envelhecimento cerebral, podem tornar essas falhas mais perceptíveis no nosso dia a dia.


Com o envelhecimento, o volume do cérebro costuma sim diminuir, assim como o fluxo sanguíneo cerebral e alguns estudiosos observaram que, além da perda de neurônios, há também diminuição das sinapses, que podem ser simplificadamente definidas como as trocas de informações entre os neurônios.


Talvez essas alterações possam justificar que parte da nossa cognição possa sofrer algumas alterações, mesmo quando estamos saudáveis, como redução da velocidade do processamento cognitivo, menor destreza para executar movimentos finos e algumas dificuldades com a memória recente, mas não a ponto de interferir em nossas atividades cotidianas.


Mas quando essas alterações são muito frequentes ou passam a interferir em nossas atividades rotineiras é importante buscar ajuda e passar por uma avaliação especializada. Isto porque, apesar de não ser normal do envelhecimento, a chance de se desenvolver alguma doença relacionadas à memória e outras funções cognitivas aumentam com o avançar da idade.


Segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International, existiam, em 2019, mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo com algum diagnóstico de demência, sendo que, segundo parecer da Organização Mundial de Saúde, esta prevalência duplicará a cada 20 anos, chegando a aproximadamente 152 milhões até 2050. Segundo tais estimativas, a cada três segundos uma pessoa desenvolve algum tipo de demência. A incidência de demência é atualmente estimada em 7,7 milhões de novos casos por ano e a sua prevalência dobra a cada cinco anos após os 65 anos.


A boa notícia é que grande parte desse risco vem de fatores que podem ser modificados, como baixo nível educacional, hipertensão não controlada, deficiência auditiva, tabagismo, obesidade, depressão, sedentarismo, diabetes não controlada, baixo contato social, consumo excessivo de álcool, exposição a poluentes e traumatismo crânio encefálico. Juntos, esses 12 riscos modificáveis respondem ​​por cerca de 40% das demências em todo o mundo.


A prevenção adequada através do controle de alguns desses fatores dependem de políticas públicas e ações que envolvam toda a sociedade, mas muitos deles dependem de nossas ações de autocuidado. Então, seguem abaixo algumas dicas:


1. Cultive hábitos de vida saudáveis: cuide de sua alimentação, faça atividade física regularmente, não fume e evite consumo de bebidas alcoólicas;
2. Cuide de sua saúde, controlando possíveis doenças crônicas como diabetes, obesidade e hipertensão arterial da melhor forma possível;
3. Corrija possíveis deficiências sensoriais, como as visuais e auditivas, através do uso de dispositivos adequados indicados por seu médico (como lentes corretivas e aparelhos auditivos, por exemplo);
4. Cultive seus relacionamentos e afetos, tenha relações significativas em sua vida, não cultive a solidão;
5. Não tenha medo de aprender coisas novas, exercitando também a mente! Vale um novo idioma, um novo instrumento musical, um novo esporte, uma nova atividade, não importa qual! Leia, jogue, dance, se desafie!
6. Aprenda meios de controlar o estresse e a ansiedade. Pode ser através de técnicas de relaxamento, meditação, respirações profundas ou outras formas que funcionem para você;
7. Tenha momentos de lazer e descanso;
8. Durma bem!
9. Ao longo da nossa jornada no Longidade teremos a oportunidade de conversar com especialistas sobre o assunto. Mande suas dúvidas e fique atento no canal!

Fontes:

https://www.alzint.org/u/WorldAlzheimerReport2019.pdf

Freitas E V, Py L. Tratado de geriatria e gerontologia. 4ed. Guanabara Koogan, 2016:

https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30367-6






Polianna Mara Rodrigues de Souza

Médica Geriátra

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